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FMI: redução nos salários é culpa da tecnologia

Luiz Fernando Gama de MedeirosNotícias23 ago, 2017 20:28
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Segundo estudo do FMI, os salários têm aumento mais lento que a produtividade e isso está ligado ao impacto da tecnologia.

Veja os resultados.

FMI revela causas da perda nos salários e atenta para a nova transformação na economia e no trabalho
FMI revela causas da perda nos salários e atenta para a nova transformação na economia e no trabalho

 

“A tecnologia é o maior contribuinte para a mudança na participação do trabalho na grande maioria dos países”, revelou estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI).

A análise trouxe que dentre as 50 maiores economias do mundo, em 29 delas a renda dos trabalhadores teve queda entre os anos de 1991 e 2014 (dois terços do PIB mundial).

Salários x capital

Em seu blog, o FMI explica que o segundo principal componente da renda é o capital.

E quando os salários têm um aumento mais lento que a produtividade, a participação do trabalho na receita cai.

E por outro lado, os donos do capital registram ganhos em um ritmo mais alto.

Desigualdade x concentração de renda

Esse fator geralmente piora a desigualdade de renda pois o capital tende a ficar concentrado nas mãos de alguns poucos.

Essa descoberta do FMI é muito importante, pois revela o que economistas têm debatido ao longo de décadas, ou seja, quem é o culpado pela degradação  lenta nos salários.

Culpa da tecnologia, diz FMI

No estudo, o FMI argumenta ainda, que o progresso tecnológico e a robotização são responsáveis por metade da degradação.

Por outro lado, o estudo aponta que a tecnologia é quem tem sido a grande motivadora deste efeito.

Ou seja, a queda nas participações nacionais do trabalho na renda está ligada ao avanço da tecnologia de informação e comunicação.

Pois o processo acelerou a automação de tarefas de rotina, antes realizadas por trabalhadores.

O aumento da capacidade de tecnologia foi de 50% ao ano durante mais de três décadas.

Esse avanço trouxe às empresas, a capacidade e o incentivo para automatizar tarefas de rotina.

Uma evolução decisiva para a perda de importância dos salários de trabalhadores com qualificações médias.

Quanto mais pessoas estiverem empregadas nessas tarefas, mais suscetível o país a perder relevância dos salários em favor do capital.

“Para determinada alteração no preço relativo do investimento, economias com elevada exposição a tarefas mais rotineiras sentem quatro vezes mais a queda do rendimento do trabalho do que outras onde a exposição é menor.”

Ameaça dos robôs

Com dificuldade em separar os fatores dessa transformação, o FMI concluiu que a integração econômica global é decisiva para a redução do trabalho na renda.

Assim como as mudanças em políticas e instituições, mesmo limitado, fica difícil afirmar o quanto dessa redução tem a ver com o declínio dos sindicatos, observa o FMI.

Grande defensor do impacto da globalização, o fundo acredita que uma maior integração internacional “expandiu o acesso ao capital e a tecnologia”.

Por outro lado, permitiu “a melhoria das condições de vida e tirou milhões de pessoas da pobreza”.

Essa integração em cadeias de valor globais e maior inclusão financeira, não teve muita relevância na perda de peso dos salários.

Políticas públicas e reformas no mercado de trabalho e de produto também são fatores que estão em jogo.

Outro motivo revelado pelo FMI é relativo a ameaça representada pelo crescente uso de robôs.

Os economistas do fundo lançaram um relatório que traz as prováveis “profundas implicações negativas” na distribuição de renda trazidas pela automação.

Cenário negativo para o trabalho é histórico

Uma projeção mais extrema e singular propõe o seguinte cenário:

“no qual o capital toma conta da economia inteira, excluindo o trabalho”.

Sendo mais otimista, uma diminuição do peso dos salários não seria necessariamente ruim para os trabalhadores.

A tecnologia poderia estar atuando na produtividade.

Ou seja, no PIB por hora trabalhada acelerando mais do que os salários, mas que poderiam estar crescendo junto.

O problema é que a produtividade tem crescido a um ritmo lento e os salários não conseguem acompanhar essa velocidade.

E com isso, o pouco crescimento que existe vai para o capital.

E uma vez que o capital está muito concentrado nas mãos de famílias mais ricas, maior é o agravamento das desigualdades.

“A desigualdade pode fomentar tensões sociais e a investigação recente sugere que pode também penalizar o crescimento econômico”, observam os técnicos.“À medida que a economia continuar a enfrentar um crescimento decepcionante, o reconhecimento de que os ganhos do crescimento não têm sido partilhados de forma abrangente, isso tem fortalecido uma reação contra a integração econômica e um maior apoio a políticas de orientação interna.”

“Novo” ciclo de transformações

O FMI explica que o que assistimos não é uma novidade histórica.

Já houve quebras do peso do trabalho em alguns períodos e entre determinados grupos de trabalhadores.

Como nos episódios anteriores de industrialização observados durante a 1ª e 2ª revolução industrial.

Nesse período, a desigualdade também aumentou.

“Apesar de os efeitos da tecnologia nestas alterações serem difíceis de quantificar, o pico histórico da desigualdade (entre o final do século XIX e início do século XX nos países desenvolvidos) eram consideravelmente mais elevados do que é hoje”, diz o Fundo, completando que o ajustamento normalmente leva “uma geração”.

Mais detalhes sobre o estudo e o impacto da tecnologia e previsões futuras para o crescimento global podem ser encontradas no relatório completo do “World Economic Outlook”.

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