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12 milhões de pessoas compartilham notícias falsas na internet

Luiz Fernando Gama de MedeirosNotícias04 jan, 2018 15:15
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Em ano eleitoral, o alcance rápido das chamadas “fake news” pode influenciar no voto e comprometer a imagem de candidatos. Entenda.

Notícias falsas na internet
Notícias falsas que se espalham pela internet, comprometem a imagem de candidatos e a credibilidade das instituições.

Notícias falsas sobre diversos assuntos se espalham pelas redes sociais rapidamente. Uma pesquisa revelou que 12 milhões de pessoas compartilham essas notícias, conhecidas também como “fake news”.

O levantamento foi realizado pelo Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação (Gpopai), da Universidade de São Paulo (USP).

As notícias falsas podem influenciar várias áreas, inclusive a política. Como este ano haverá eleições, a influência sobre os eleitores é grande, o que pode levar ao erro na hora de decidir o voto.

Leia também: Facebook e Google se unem para combater notícias falsas

Notícias falsas se espalham na rede

Há muitos exemplos de fake news. Um boato que surgiu em 2015 e que ganhou força em 2016, é uma suposta tentativa de suicídio da ex-presidente Dilma Rousseff. Em junho de 2015, o assunto foi tão compartilhado pela internet que a petista, que ainda ocupava a presidência da República, teve que ir a público desmentir a informação.

Na campanha de 2014, circulou na internet a informação de que o PT trouxe ao país 50 mil cidadãos do Haiti para votar. De acordo com o texto da falsa notícia, os haitianos receberam dupla cidadania para engrossar o saldo de votos de candidatos petistas.

Uma pesquisa da USP revelou que 42% dos eleitores contrários à candidatura de Dilma acreditaram nessa afirmação. Mesmo após as eleições, as fake news continuaram se disseminando no campo da política.

Fake news se tornou um modelo de negócios

A especialista Helena Martins, diretora da ONG Intervozes, destaca que atualmente existe um modelo de negócios em torno das notícias falsas.

“É uma questão muito complexa. A maioria dos boatos se espalham com interesses financeiros, por meio de sites caçadores de cliques. Mas também temos os que se espalham por ideologia e outros que querem silenciar minorias, atacando homossexuais e mulheres, por exemplo”, destaca.

De acordo com o estudo da USP, a estrutura de campanha criada por um candidato pode não ser suficiente para desmentir as acusações. Portanto, isso pode causar uma reviravolta no cenário das eleições.

Segundo o advogado Aylan Estrela, especialista em Direito Digital, quem cria esse tipo de boato pode ser punido com leis já existentes.

“Esses crimes contra a honra são previstos pelo Código Penal. A grande questão é a identificação dos autores. Hoje existem mecanismos para identificar, como o armazenamento dos dados dos criminosos. Mas, em relação a leis específicas para o período eleitoral, não temos nada em vigor nem tempo para aprovar”, afirma.

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